É difícil não ficar entusiasmado com o que a nova temporada pode trazer

Quando Julius Randle deu um passo em direção a Lonzo Ball, Patrick Williams recebeu o passe no canto. A quarta escolha do draft de 2020 viu o caminho livre e foi na direção do cesto. Mitchel Robinson estava lá parado para a oposição, mas Williams não quis saber.

Em explosão, Williams olhou como se fosse para afundar. Finalmente, estava a mostrar a agressividade ofensiva que todos queriam ver, estava a mostrar a capacidade atlética que todos sabem que tem. Finalmente, estav…

Um falta flagrante de Robinson atingiu Williams na cara. O jogador começou a rodar no ar como se fosse uma panqueca, enviando lentamente todo o seu peso sobre o braço que usou para amparar a queda. Um dia depois sabíamos que Williams tinha deslocado o pulso e estava oficialmente em risco de falhar toda a temporada regular. O que não sabíamos é que esse momento iria simbolizar toda a temporada dos Chicago Bulls.

Enquanto Williams regressaria quando faltavam 12 jogos na temporada regular, os Bulls viram jogador atrás de jogador a falhar tempo valioso durante a temporada. Alex Caruso alinhou em 41 jogos devido a lesões, incluindo uma no pulso que o tirou da equipa por 22 jogos seguidos. Zach LaVine teve uma distensão no ligamento do polegar no final de Outubro, o que dificultou a sua capacidade de drible enquanto tentou jogar lesionado. Avançando para 14 de Janeiro, e jogou apenas 3 minutos contra os Golden State Warriors devido a dores no joelho que iriam ser um problema para o resto da temporada.

O dia 14 de Janeiro também fica marcado pelo último jogo de Lonzo Ball na temporada. O novo point guard dos Bulls sofreu uma lesão no menisco que iria precisar de cirurgia. Ball disse aos jornalistas após o jogo que não se sentia bem.

Derrick Jones Jr. fraturou um dedo enquanto recuperava de uma lesão no joelho que o forçou a falhar um mês até que decidiu jogar ligado. Javonte Green ficou de fora três semanas a meio da temporada graças a uma lesão na virilha. Coby White não pôde jogar até meados de Novembro devido a uma cirurgia no ombro. E não vamos esquecer que quase toda a gente passou tempo nos protocolos de saúde e segurança da liga a certa altura da temporada.

Ninguém vai sentir pena dos Bulls. Todas as equipas da NBA tiveram lesões a certa altura, e cabe a cada equipa lidar com isso. Por outras palavras, é trabalho da administração construir um plantel que possa lidar com as ausências sem sacrificar muito a produção da equipa. Poucas dúvidas há de que será o foco dos Bulls neste verão.

“Eu sei que nenhuma equipa passa uma temporada inteira sem problemas físicos, mas se tivéssemos todos como queríamos… Isso vai ser sempre um pouco desapontante para mim. Acho que construímos uma boa química em Agosto, e houveram algumas oportunidades falhadas,” disse o treinador Billy Donovan depois da derrota no quinto jogo da primeira ronda dos playoffs contra os Milwaukee Bucks.

Os Bulls tinham o 7º melhor net rating quando Janeiro chegou. tinham a 3ª melhor percentagem efetiva de lançamentos da liga, e eram a 6ª equipa que mais pontos conseguia por perdas de bola, segundo as estatísticas da NBA. Usaram esta consistente maneira de jogar para chegar ao topo da Conferência Este. E então, como Donovan apontou, as coisas tornaram-se desapontantes.

Depois das lesões de LaVine e Ball contra os Warriors a meio de Janeiro, os Bulls finalizaram a temporada com o 21º net rating. Lançaram 54.2 %, o que deu para um 16º lugar. Já pontos vindos de perdas de bola, os Bulls foram a quinta pior equipa da liga.

“Entendemos o nosso plantel e as lacunas,” disse Arturas Karnisovas na conferência de imprensa de fim de temporada. “Também penso que é muito difícil encontrar a tua identidade defensivamente quando o alinhamento está sempre a mudar. E tivemos momentos muito difíceis, especialmente na segunda parte, com a nossa defesa a cair… Acho que outro ano juntos vai ajudar.”

A falta de tempo de jogo do núcleo da equipa torna a vida mais difícil para Karnisovas e a sua equipa. Como podes dizer com confiança o que precisas? Com que confiança atacar o mercado?

Essas questões devem ser respondidas com horas e horas de análise e reuniões. Mas também é difícil ver essas questões respondidas e é por isso que a palavra “continuidade” foi tão ouvida no último encontro com os jornalistas.

“Acho que todos estão frustrados,” disse Lonzo Ball aos jornalistas. “No começo, podias ver o potencial que tínhamos. Acho que nunca conseguimos atingir a plenitude desse potencial por causa do Covid, lesões e coisas do género. Mas, espero, este verão vai fazer bem a todos e podemos reagrupar-nos e voltar mais fortes.”

O cinco inicial do primeiro jogo composto por Lonzo Ball, Zach LaVine, DeMar DeRozan, Patrick Williams e Nikola Vucevic jogou apenas cinco vezes durante toda a temporada. O que pareceu a ser o alinhamento preferido para fechar os jogos, que substituía Williams por Alex Caruso, jogou apenas 16 partidas.

Novamente, apesar de todas as equipas sofrerem com lesões, torna-se especialmente problemático para uma equipa nova como os Bulls. O fato de os seus melhores jogadores passarem tão pouco tempo juntos não ajuda e faz pensar o que poderia acontecer se os deuses da bola laranja tivessem ajudado.

Nikola Vucevic resumiu bem o quão difícil a temporada se tornou conforme os meses foram passando.

“Estávamos a tentar perceber conforme a temporada corria,” disse Vucevic. “Jogar uns com os outros, conhecer-nos, construir uma química. E acho que temos grande grupo de jogadores que são altruístas e que querem jogar da maneira certa, e às vezes demora tempo. E quanto mais jogávamos juntos, mais nos entendíamos.”

“É um processo. Demora tempo. Não é uma desculpa, apenas Às vezes é difícil para nós perceber isso porque nunca conseguimos fazer um bom número de jogos juntos e ver… por isso às vezes foi um pouco complicado.”

Passar tempo juntos em campo é importante para uma equipa construída à volta de três All-Star que estavam acostumados a ser a primeira opção nas suas equipas. Cada jogador do plantel estava pronto para fazer sacrifícios para vencer… mas aprender como fazer da maneira certa esses sacrifícios leva tempo.

É frustrante pensar no que poderia ter sido a temporada, mas também é algo que dá algum otimismo. O fato de muitos acreditarem que este grupo pode conseguir mais deixa-nos entusiasmados com o que o futuro reserva.

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