“O Jo era tudo do Coração” – Billy Donovan

Joakim Noah apareceu letárgico durante um treino no seu segundo ano na Universidade da Florida, e Billy Donovan, o seu treinador, viu que chegasse.

Fui para cima dele,” recorda Donovan.

O David Lee está na NBA. Precisamos de ti. Estás a queimar oportunidades nos dois lados. Começa a priorizar as coisas.

Por volta das 11 da noite, o telefone de Donovan tocou. Al Horford e Corey Brewer, dois dos colegas de quarto de Noah e membros daquela que seria uma das grandes equipas do basquetebol universitário, precisavam da ajuda de Donovan. Noah estava a fazer ‘sprints’ na pista de atletismo, no meio da chuva, e não ia parar. Era a maneira de Noah mostrar a Donovan que estava pronto para liderar.

Noah trabalhou com o actual treinador dos Bulls quando os dois estavam na Universidade da Florida.

Tiveram que mandar alguém para o tirar de lá,” disse Brewer. “Ele era louco. Se o desafiasses, ele ia até ao extremo para provar que estavas enganado.

Brewer conheceu Noah no começo do primeiro ano na universidade, em 2004, quando o ‘hippie’ alto, de cabelos compridos, entrou pelo pavilhão e viu Horford, Brewer e Taurean Green no campo e disse: “O meu tipo de gente, já no pavilhão!” Noah largou os sacos e juntou-se ao grupo.

Os quatro viveram juntos. Noah foi o que jogou menos minutos, porque tinha David Lee à sua frente. Lee que tinha o trabalho de se certificar que Noah fosse às aulas. No primeiro dia Lee e Noah combinaram encontrar-se às 9 da manhã – 15 minutos antes da aula. Às 9h15 não havia sinal de Noah. Lee mandou-lhe uma mensagem. Não teve resposta.

às 9h45 Noah apareceu. Sem camisa, com um rádio na mão a tocar música de Bob Marley e com “cerca de 19 colares,” lembra Lee.

Jo, tens aulas!” – Gritou Lee.
Yo, relaxa,” respondeu Noah. “Chegamos lá quando chegarmos lá.

Ele era tão charmoso que me convenceu que eu precisava de relaxar,” disse Lee.

Donovan castigou Noah e Lee fazendo-os correr às seis da manhã no dia seguinte. E não seria a última vez. Às sextas, os preparadores físicos torturavam toda a gente: levantamento de pesos, subir colinas, subir colinas enquanto carregavam pesos.

O estilo apaixonado e irreverente já estava presente durante a sua passagem pela Universidade da Florida.

Os treinadores cedo descobriram que precisavam de trazer um balde. Noah trabalhou tão duramente, sem descanso, que muitas vezes vomitava.

Ele vomitava e 30 segundos depois estava de volta,” lembra Larry Shyatt, na altura treinador adjunto na Universidade da Florida. “Eu nunca tinha visto um atleta trabalhar até à exaustão daquela maneira.

Houve algumas vezes que ele abusou na noite anterior,” diz Brewer a rir. “Isso talvez tenha tido influência.

De vez em quando, de manhã, Noah ia para o pavilhão gritar para o escritório dos treinadores: “Quem quer trabalhar com o Joakim?” E não eram apenas lançamentos, confirmou Shyatt. Noah pedia aos treinadores para lhe fazerem exercícios defensivos e gritarem com ele.

Ele inspirou-me,” disse Horford.

Não valeram muitos minutos a Noah no primeiro ano. A competição era muito intensa. Noah também apanhou Mononucleose. Tinha dificuldades em lembrar-se das jogadas. Nos treinos, Horford tinha de as vezes levar Noah para o sítio certo.

No final desse ano, Noah foi ter com Donovan e admitiu que os amigos lhe sugeriram uma transferência. Donovan aconselhou-o a ficar. Noah canalizou o seu desapontamento para o trabalho.

Esse ano fez dele um melhor jogador,” diz Brewer.

É essa ética de trabalho que os Chicago Bulls vão celebrar esta madrugada. Uma reunião de antigos amigos e um tributo à carreira que Noah não vislumbrava quando era um fala-barato e irritante Jogador Defensivo do Ano. Ele está em paz.

Os últimos cinco anos foram a melhor coisa que me aconteceu,” diz Noah. “Ajudou-me a apreciar os bons tempos. Quando acabam, percebes que tudo o que tens são as memórias e os amigos. Partilho muitas histórias com muita gente. É isso que quer esta noite. Encontrar-me com amigos, beber uns copos e falar porcaria.

Faça um comentário...

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.