Pacers – Bulls, 115-122; Vucevic e Dosunmu mostram o caminho para a vitória

115-122

Jogo no Gainbridge Fieldhouse, em Indianapolis (IN).
1 2 3 4 T
Indiana Pacers 33 29 28 25 115
Chicago Bulls 40 25 28 29 122

Ayo Dosunmu estava nervoso, e um pouco assustado.

“Depois da derrota em Toronto não falei com o treinador até esta manhã,” disse Dosunmu. “E foi um daqueles momentos como quando andas na escola e não sabes como os teus pais vão reagir. Ele chamou-me esta manhã e eu pensava que estaria chateado, claro.”

A titularidade de emergência que o rookie de 22 anos tem tido tem mostrado uma natural calma e maturidade, mas ele ainda estava nervoso. Seria enviado para o banco?

“Ele veio ter comigo e perguntou o que eu tinha aprendido ontem. E eu disse-lhe que tinha de melhorar o meu drible na linha de fundo e ter mais noção do que está a acontecer em campo, E ele disse, ‘Boa, percebeste.’ E eu fiquei meio espantado.”

“Essa troca de ideias, aqui mesmo,” revelou Dosunmu com um sorriso, “isso faz com que eu queira voltar e passar por uma parede por ele e competir por ele porque eu sei que ele acredita em mim.”

E foi o que Dosunmu fez contra os Pacers, onde conseguiu uma afundanço que acabou com o jogo nos segundos finais da vitória por 122-115.

Nikola Vucevic continuou de mão quente com 36 pontos, máximo na temporada, 17 ressaltos e três desarmes. DeMar DeRozan com 31 pontos e sete assistências num jogo onde viveu sob marcações duplas, e Ayo Dosunmu com 15 pontos, incluindo nove no quarto período, e 14 assistências, um novo máximo da sua jovem carreira.

“O Ayo fez uma uma jogada explosiva no final,” concordou Donovan. “Ele não tem medo do momento e eu confio nele. Ele tem a crença e a confiança de que vai conseguir fazer a jogada. Não vai ser sempre perfeito, mas ele vai aprendendo com os erros. Não tinha a certeza de que conseguiria chegar lá, mas tirou os pés do chão e foi capaz de afundar.”

A jogada eliminou o desapontamento da derrota no prolongamento no último jogo e levou os Bulls de volta ao topo da Conferência Este, à frente dos Heat, com 33-19. Os Pacers desceram para 19-35 apesar dos 42 pontos de Caris LeVert. Os Bulls regressam ao United Center no domingo para jogar com os 76ers, e uma vitória deverá enviar Donovan e a sua equipa técnica ao All-Star juntamente com DeRozan e LaVine, além de Dosunmu no Rising Stars Challenge.

O que é uma agradável surpresa nesta surpreendente e transformativa temporada dos Bulls com ausências ocasionais e inconsistências que continuam a por a prova a determinação e legitimidade da equipa. O zénite da NBA nos últimos dias têm sido as batalhas de fricção. Os Bulls tiveram Zach LaVine com espasmos nas costas e Coby White com problemas num tendão enquanto os Pacers começaram com todos os jogadores de perímetro.

Mas a muralha defensiva dos Bulls tem tido exibições inesperadas de jogadores como Dosunmu, Javonte Green com o seu quarto jogo seguido a ultrapassar a dezena de pontos e o quinto nos últimos seis com 16 pontos e, desta vez, Matt Thomas com 10 pontos em 27 minutos.

Não que isso pareça necessário. Claro, os Bulls têm jogadores lesionados, mas os Pacers são uma equipa em cacos. Começaram com três jogadores que não foram escolhidos no draft, um rookie e LeVert. O último falhou cerca de um terço dos jogos dos Pacers com lesões após uma cirurgia para remover um cancro. E os Bulls começaram com 10 pontos seguidos. Parecia que iam vencer por 50. E que Vucevic talvez marcasse 60.

“Hoje fui capaz de tirar vantagem da diferença de tamanho,” reconheceu Vucevic, que foi marcado por Terry Taylor, que tem 16 cm a menos que o center dos Bulls.

Vucevic fez as suas coisas no primeiro período, onde marcou 13 pontos, e os Bulls reconheceram rapidamente a disparidade já que Taylor parecia só chegar ao peito de Vucevic. Com o center dos Bulls a procurar o garrafão para cestos fáceis e Green a cortar para oito pontos, os Bulls estiveram acima da dezena de pontos de vantagem a maioria do período, apesar do imparável LeVert.

O swingman dos Pacers marcou 22 pontos no primeiro período, o que permitiu aos homens de Indiana ficarem perto dos Bulls, e Donovan reconheceu que os Bulls precisavam de, pelo menos, abrandar um jogador.

“Na verdade, depois do primeiro período, fizemos um trabalho muito decente porque ele estava num ritmo que ia conseguir 60 pontos hoje,” notou Donovan. “Eu sei que ele marcou 42 pontos, mas fizemos um bom trabalho depois daquele primeiro período. Decidimos que o tínhamos de abrandar o resto do jogo e tentar tirar-lhe a bola das mãos. Tentámos dificultar-lhe o trabalho porque ele estava a conseguir passar por nós de qualquer maneira naquele primeiro período.”

Por isso, basicamente, os Bulls enviaram marcações duplas para LeVert quase sempre que tinha a bola. Ainda assim, os Pacers estiveram por perto, mesmo com a falta de titulares e tendo de usar Lace Stephenson, um favorito de Indiana por alguma razão (será que é por ter soprado na orelha de LeBron James à uns anos?).

Os Bulls dominaram as tabelas.

Vou escrever outra vez.

Os Bulls dominaram as tabelas.

Sete ressaltos ofensivos na primeira parte e dez no total, metade deles de Vucevic. 55% nos lançamentos. Mas com apenas quatro em 15 do perímetro. Mas a marcar no garrafão como nunca, 70 o jogo todo, 38 ao intervalo. Mas a liderança sobre os Pacers era de apenas 65-62 ao intervalo.

“Foi uma boa batalha, ambas as equipas competiram bem,” disse Vucevic, a fazer lembrar Rasheed Wallace.

Os Bulls marcaram oito pontos seguidos no começo da segunda parte, mas os Pacers também vieram melhor preparados para as marcações duplas e movimentaram a bola conseguindo seis triplos. E de repente tínhamos jogo e DeRozan deve ter começado a pensar de onde lançaria o triplo que daria a vitória desta vez quando os Pacers chegaram à liderança por 86-85 a meio do terceiro período. Sim, DeRozan teve um momento de inspiração na véspera de ano novo em Indianapolis. E parecia que seria necessário novamente com os Pacers a um ponto e a fechar o terceiro período a perder por 93-90 mesmo com Vucevic a marcar uma dúzia de pontos no terceiro período.

“Colocámos a bola no Vooch muitas vezes, mas podíamos ter feito mais,” disse Donovan. “Eles estavam a fazer marcações duplas e isso deixou muitas vezes jogadores completamente livres, mas não lançamos bem, e isso costuma acontecer no segundo jogo de uma jornada dupla. Criámos bons lançamentos quando Vooch tinha a bola. Ele esteve impressionante, mas o que realmente impressiona é que toda a gente sabe que marca pontos. Fiquei impressionado com o que fez defensivamente. Tivemos algumas falhas no perímetro e sofremos. O Vooch teve alguns desarmes (todos os três num espaço de um minuto no último período) e fez outros falharem. Por isso não só esteve bem ofensivamente, fez um grande trabalho a defender o cesto.”

Os Pacers foram especialmente duros com DeRozan, com marcações duplas e agressivos na saída dos bloqueios. Fez quatro pontos seguidos depois de ganhar uma falta no começo do quarto período quando Indiana estava a um ponto.

A vitória começou a desenhar-se num subtil mas inteligente ajuste dos Bulls, já que os Pacers estavam a deixar Green lançar triplos do canto. Por isso os Bulls mudaram Dosunmu para lá, e ele conseguiu uma abertura após passe de Vucevic. E Dosunmu consegue converter triplos.

Mas LeVert ainda fez algumas gracinhas que incomodaram os Bulls. Marcou três vezes em dois minutos e os Pacers viam o marcador em 118-115 – estavam a uma posse de bola – após um triplo de Justin Holiday com 36.4 segundos para o final.

Os Bulls pediram um desconto de tempo e desenharam uma jogada para DeRozan ou Vucevic. Mas os Pacers estavam a ter efeito em DeRozan. Por isso a opção era mover Vucevic e colocá-lo em posição como tinha acontecido durante todo o jogo. Mas Taylor “colou-se” a Vucevic, abrindo uma autoestrada para Dosunmu.

“Acabou por ser basicamente como tínhamos planeado,” explicou Dosunmu. “O treinador sabia a maneira como estávamos a jogar. Estavam a negar o DeMar e, claro, no final do jogo as equipas sabem para onde vai a bola. Por isso ele disse-me que quando fosse para o cesto tentasse colocar a bola nele (DeRozan). Mas se estiver muito marcado, vai em frente. Quando viemos do desconto de tempo, disse ao Vooch para estar preparado. Pensei que fosse para ele por causa da vantagem na altura. Mas o Taylor ficou com ele e eu tinha espaço. Foi a minha adrenalina, e foi a melhor jogada a fazer.”

E foi mesmo!

O tipo de jogada que levanta o público.


Estatísticas dos Indiana Pacers (19-35)
Titulares MP PTS REB AST STL BLK TOV FG 3P FT
Caris LeVert 41 42 5 8 0 0 3 19-26 1-3 3-3
Torrey Craig 39 5 6 0 0 2 1 2-4 1-1 0-0
Terry Taylor 38 21 14 5 0 0 3 9-17 1-2 2-2
Justin Holiday 33 9 0 2 3 1 1 3-11 3-8 0-0
Chris Duarte 24 12 2 3 0 0 1 5-11 2-3 0-0
Suplentes MP PTS REB AST STL BLK TOV FG 3P FT
Duane Washington 28 17 7 4 0 0 0 7-14 3-7 0-0
Lance Stephenson 11 5 1 3 0 0 3 1-7 1-2 2-2
Reggie Perry 10 2 1 0 0 0 0 1-1 0-0 0-0
Oshae Brissett 10 2 1 0 0 0 0 0-1 0-0 2-2
Jeremy Lamb 7 0 0 0 0 0 0 0-3 0-1 0-0
Keifer Sykes
Totais da Equipa 240 115 37 25 3 3 12 47-95 12-27 9-9
Estatísticas de NBA.com
Legenda: MP – Minutos Jogados; PTS – Pontos; REB – Ressaltos; AST – Assistências; STL – Roubos de Bola; BLK – Desarmes de Lançamento; TOV – Perdas de Bola; FG – Lançamentos de Campo; 3P – Triplos; FT – Lances Livres.
Estatísticas dos Chicago Bulls (33-19)
Titulares MP PTS REB AST STL BLK TOV FG 3P FT
DeMar DeRozan 39 31 5 7 1 1 6 11-26 0-4 9-9
Ayo Dosunmu 37 15 0 14 2 0 2 6-9 2-3 1-2
Nikola Vucevic 37 36 17 4 0 3 1 16-21 1-2 3-7
Troy Brown Jr. 35 9 6 1 1 0 0 4-8 0-2 1-1
Javonte Green 35 16 3 2 1 2 0 7-10 0-2 2-2
Suplentes MP PTS REB AST STL BLK TOV FG 3P FT
Matt Thomas 27 10 2 1 0 0 0 3-9 2-8 2-2
Malcolm Hill 19 5 4 0 0 0 0 2-6 1-5 0-0
Tony Bradley 8 0 6 1 0 0 0 0-0 0-0 0-0
Tyler Cook 3 0 0 0 0 0 0 0-1 0-0 0-0
Coby White
Alfonzo McKinnie
Totais da Equipa 240 122 43 30 5 6 9 49-90 6-26 18-23
Estatísticas de NBA.com
Legenda: MP – Minutos Jogados; PTS – Pontos; REB – Ressaltos; AST – Assistências; STL – Roubos de Bola; BLK – Desarmes de Lançamento; TOV – Perdas de Bola; FG – Lançamentos de Campo; 3P – Triplos; FT – Lances Livres.

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