Depois da última dança, os Bulls tornaram-se uma casa a arder

As coisas ficaram feias em Chicago depois de Michael Jordan, Scottie Pippen e virtualmente todas as peças importantes da dinastia terem saído. Aqui mergulhamos fundo nos destroços deixados depois do campeonato de 1998.

A NBA estava pronta para voltar. Depois de um final memorável da temporada 1997/98 – com as finais com melhor assistência na história da liga, culminando com o jogo com melhor assistência – uma disputa financeira entre donos e jogadores levou a uma greve de seis meses, suspendendo o momento entre os anos de Michael Jordan e o começo da nova era.

Quando a greve terminou em Janeiro de 1999, fazia sentido olhar para o último grande momento da liga antes de começar novamente. O dia de abertura traria uma reedição das finais entre os Bulls e os Jazz – que maneira melhor de os fãs regressarem à NBA?

Havia só um pequeno problema. Enquanto Karl Malone, John Stockton e Jerry Sloan ficaram em Utah, Michael Jordan, Scottie Pippen, Dennis Rodman, Steve Kerr e Phil Jackson eram corridos de Chicago por uma combinação que misturava Jerry Krause (Director Geral dos Bulls), exaustão, dinheiro e egos. Krause, e por extensão Jerry Reinsdorf, dono dos Bulls, queria reconstruir a equipa, e não havia dúvidas do que aconteceria ao clube durante enquanto isso acontecia.

A nova equipa dos Bulls era tão desinteressante que, apesar dos esforços da liga, o jogo de abertura nem teve transmissão nacional. Um porta-voz da TNT na altura disse: “Não vimos como uma reedição das finais da NBA porque o plantel dos Bulls era completamente diferente.” Kevin O’Malley, na altura vice-presidente da Turner Sports, disse numa entrevista ao Chicago Tribune que “pensamos para nós que não podíamos ficar com esse jogo. O jogo já estaria decidido ao intervalo.

De facto, os Jazz ao intervalo já venciam por 15 pontos – e foi apenas a primeira derrota de longos e penosos três meses de miséria para os Bulls. Chicago não falhou apenas os playoffs pela primeira vez desde que Jordan andava na universidade. Com o recorde de 13-37, era também a pior percentagem de vitórias na história da equipa.

Foi pior do que pensei que seria,” disse Ron Harper, um dos poucos que continuou em Chicago após 1997/98. Ou como disse Dickey Simpkins, de uma maneira mais colorida depois dos Bulls perderem jogos em dias seguidos por um combinado de 52 pontos, “Há dias em que tu és o pombo, e noutros és a estátua. Nós fomos a estátua nos últimos dois dias.

O colapso dos Bulls foi sem precedentes na história da NBA. Nas três temporadas anteriores, de 1995/96 a 1997/98, os Bulls venceram 83% dos seus jogos na temporada regular. A segunda melhor marca da liga, perdendo apenas para os Warriors de 2014/15 a 2016/17 (84%). Nas três temporadas seguintes, a começar em 1998/99, os Bulls caíram para 21% (45-169), a sétima pior marca de sempre.

O documentário “The Last Dance” celebrou a carreira de Michael Jordan e mais especificamente a temporada 1997/98, mas é difícil imaginar alguém a investir num documentário de 10 episódios sobre o que se passou a seguir.

No começo da temporada 1998/99, a única equipa campeã que tinha falhado os playoffs no ano seguinte tinham sido os Celtics depois de Bill Russell e Sam Jones retirarem-se. E mesmo esses Celtics terminaram com um respeitável 34-48 com um diferencial de pontos bem próximo do zero. Os Bulls de 1998/99 não podem orgulhar-se disso.

Depois de a greve acabar, Krause começou a reconstrução. Dos oito jogadores que tinham jogado pelo menos 10 minutos por jogo nos playoffs de 1998, apenas Harper e Kukoc se mantiveram. Phil Jackson foi embora quase depois das finais, e Jordan tinha anunciado a retirada a 13 de Janeiro. Entre 21 e 23 de Janeiro, os Bulls assinaram e trocaram Pippen, Steve Kerr e Luc Longley, e dispensaram Dennis Rodman e uma mão cheia de reservas.

As novas caras incluíam o antigo vencedor do concurso de afundanços Brent Barry, que assinou por seis anos e 27$ milhões, e uns quantos jogadores que ainda precisavam de provar que podiam que podiam sequer pertencer à liga. Harper lembra-se de entrar no balneário pela primeira vez e pensar, “Quem são estes tipos?

Como tantos jogadores que foram essenciais em 1998 já não estavam em Chicago, os Bulls não fizeram a tradicional cerimónia do anel. Até a habitual entrada da equipa foi alterada – o mestre de cerimónias Ray Clay recebeu instruções para dizer “os vossos Chicago Bulls” assim que a música começava em vez de “os vossos campeões Chicago Bulls.

Para todos os envolvidos, era difícil não comparar os novos jogadores com os que tinham estado envolvidos nas vitórias uns meses antes. Logo antes do jogo de abertura contra os Jazz, o novo treinador Tim Floyd mostrou à sua equipa como Jordan, Pippen e Rodman tinham defendido contra os Jazz na temporada anterior. Era o único filme que tinha. “Gostava que tivessem estado aqui esta noite,” lamentou o novo treinador. Entretanto, Rick Reilly da Sports Illustrated, descreveu uma cena desconfortante durante um treino. “Tex Winter, o adjunto de longa data dos Bulls, gritava ‘Não, não, não! O Scottie faria assim e o Michael faria assim!’ (Winter diria depois que ‘Preciso de parar de fazer isto. Não é justo. Não vejo muitos Scotties e Michaels por aqui.’)

O maior problema dos Bulls era o seu ataque, que marcou 71 pontos contra os Hawks, 68 contra os Knicks, 76 contra os Spurs e 67 contra os Hawks, tudo de seguida. Nessa derrota com os Knicks, os Bulls definiram um novo recorde do clube para menos pontos numa parte (23) e lançamentos convertidos (21) – e, de alguma maneira, esse nem foi o seu pior jogo contra os Knicks. A 21 de Fevereiro os Bulls empataram o mínimo de pontos numa derrota por 79-63 no Madison Square Garden.

No final da temporada os Bulls tinham uma média de 81.9 pontos por jogo, a pior marca desde o advento dos 24 segundos em 1954. Nenhuma outra equipa tinha terminado com menos de 83 pontos. Dada a evolução do jogo, o recorde dos Bulls de ataque mais fútil pode nunca ser quebrado.

Os problemas eram muitos. A greve não afectou só os Bulls, afectou toda a liga. “Se tu fazes muitas trocas na janela de transferências, tens tão pouco tempo para treinar que é difícil de incorporar jogadores rapidamente,” lembrou o treinador dos Knicks na altura, Jeff Van Gundy. 50 jogos foram jogados em 90 dias, o que significa que muitas equipas não descansavam após os jogos e jogavam três dias seguidos. “Eu não consigo jogar três dias seguidos. Eu não consigo ter sexo três dias seguidos,” comparou Charles Barkley, à altura nos Rockets.

Muitos jogadores chegaram fora de forma, despreparados para o rigor de uma temporada normal, quando mais uma temporada condensada monstruosamente. Por causa da saída de jogadores e da janela de transferências alterada, apenas seis jogadores dos Bulls tinham contrato no primeiro dia de treinos. Por causa disso o treino foi cancelado. “Bem, não tivemos nenhuma lesão hoje,” brincou Floyd. Mas mesmo quando a temporada começou, os Bulls estavam tão cansados que tiveram que cancelar outro treino com apenas quatro jogos realizados.

As equipas responderam desacelerando o jogo e falhando lançamentos. A velocidade de jogo da liga desceu, enquanto a eficiência ofensiva por posse de bola caiu a níveis anteriores à introdução da linha de três pontos. Estes dois factores combinados desceram a média de pontos por jogo a um mínimo de 91.6 pontos por jogo desde o advento dos 24 segundos.

Mas Chicago também teve os seus próprios problemas. Os novos Bulls estranharam a filosofia ofensiva, com o arquitecto do triângulo, Tex Winter, ainda na equipa e Krause a influenciar Floyd a usar os seus princípios. Sem Jordan, Pippen e outros veteranos, a equipa não era adequada para um sistema tão intrincado. O triângulo, notou Sam Smith no começo da temporada, “requer um bom passador no poste, que os Bulls não têm, e bons lançadores, que os Bulls não têm.”

Parecíamos bonecos a correr uns contra os outros,” observou Brent Barry em Fevereiro. Tim Floyd ficou tão desesperado que quando os Spurs vieram a Chicago gritou a Kerr, “Hey, Steve, diz-lhes o que devem fazer no triangulo.” A equipa sabia apenas cerca de 30% do ataque no começo da temporada, contou Floyd. O treinador, vale o que vale, não implementou a estratégia por sua própria vontade. Recentemente disse que “quando cheguei lá, forçaram-me a implementar o triângulo e a manter o Tex Winter.

Todos se questionavam pela decisão de manter o triângulo, mesmo os adversários. Depois dos Hawks levarem os Bulls a apenas 33% de lançamentos convertidos numa vitória por 83-67, Dikembe Mutombo sugeriu que os Bulls deviam mudar a sua estratégia uma vez que Jordan já não estava. “Quando mudas o cozinheiro,” disse, “mudas o menu.” Mas o menu manteve-se, e a comida perdeu qualidade – e não foi apenas metaforicamente. Um promoção no United Center dava Tacos de borla aos adeptos depois de uma vitória por 100 pontos em casa, mas os Bulls só chegaram aos 100 pontos por duas vezes em vinte e cinco jogos. A primeira vez que aconteceu resultou “na ovação mais barulhenta na arena durante toda a temporada,” noticiou o Chicago Tribune.

Afinal de contas, era impossível esquecer o homem que tinha deixado o edifício. Jordan voltou ao United Center apenas uma vez durante essa temporada, mas para ver os Blackhawks, e não a sua antiga equipa. Ele nem apareceu para o tributo a Phil Jackson, preferindo gravar um vídeo.

Mas Jordan não deixou de alfinetar os seus antigos companheiros, como fazia quando era o líder da equipa. O adjunto Frank Hamblen disse que depois daquela derrota contra os Hawks, Jordan telefonou-lhe e disse-lhe, “Eu consigo marcar 67 pontos num jogo – vá lá.

Os Bulls pós-Jordan não estiveram completamente sem bons momentos. Toni Kukoc, antigo sexto jogador do ano, assumiu um papel maior e conseguiu 18.8 pontos, 7.0 ressaltos e 5.3 assistências, tudo máximos de carreira. Simpkins também jogou bem no melo. E Randy Brown até bateu a buzina e ganhou um jogo em Toronto.

Mas esses momentos eram fugazes e aconteciam de vez em quando. O lançamento de Randy Brown foi uma pedrada no charco, já que durante toda a temporada os Bulls foram horríveis no final dos jogos, marcando 71.5 pontos por 100 posses em momentos decisivos segundo o NBA.com/Stats. Mais de 10 pontos pior que qualquer equipa na base de dadosm que data de 1996/97.

Entretanto, as outras equipas estavam contentes por bater os Bulls, depois de anos seguidos a perder com os campeões. “Por todos os anos em que destruíram equipas, é hora de pagarem,” disse Sam Mitchell dos Timberwolves. Jeff Hornacek, dos Jazz, foi peremptório quando questionado se tinha pena dos Bulls. “Pena?” perguntou. “De uma equipa que ganhou seis campeonatos? Estás a brincar comigo?

O pior de tudo veio contra uma equipa com muitas razões para se vingar depois de várias derrotas nos playoffs durante uma década. Os Heat eram um adversário difícil para uma equipa com dificuldades para fazer pontos. Liderados por Alonzo Morning, que foi o jogador defensivo do ano e acabou em segundo na votação para MVP no final da temporada, os Heat conseguiram o segundo melhor registo defensivo na era dos 24 segundos (84.0 pontos por jogo, perdendo apenas para os Hawks de 1999 com 83.4).

E na altura em que os Bulls jogaram com os Heat, em Abril, já estavam desfalcados. Brent Barry estava de fora com um tornozelo torcido; Ron Harper regressava depois de deslocar o indicador esquerdo e de uma lesão no joelho; e Kukoc e Brown também não estavam a 100% depois de falharem alguns jogos por lesão. A temporada condensada não dava tempo de recuperação suficiente, e os Bulls sofreram mais do que qualquer outra equipa. Chicago usou 24 equipas iniciais em 50 jogos; nenhuma outra equipa usou mais de 20. Até o Benny acabou por se lesionar.

Portanto, um objecto imóvel encontrou-se com uma força imparável no United Center, e aconteceu história na NBA. Os Bulls perdiam por 15-0 ainda no primeiro período e falharam os seus primeiros 14 lançamentos; tinham apenas oito pontos após o primeiro período, 23 ao intervalo e 33 no terceiro período. Depois de perderem a bola duas vezes nos segundos finais, atingiram um novo recordo: 49 pontos num jogo, o mínimo para qualquer equipa no tempo dos 24 segundos.

As estatísticas desse jogo roçam a obscenidade. Mourning conseguiu quatro blocos antes dos Bulls conseguirem converter um lançamento. Os Bulls foram 0-9 em triplos e 13-24 em lances livres, e terminaram com mais perdas de bola do que lançamentos convertidos. O melhor marcador dos Bulls foi Kornél Dávid, com 13 pontos.

Talvez a pior parte deste novo recorde tenha sido que os Bulls tinham destronado uma equipa que detinha o recorde depois de perder com… os Bulls. Tinham sido os Jazz, nas finais de 1998, quando os Bulls venceram por 96-54 o jogo 3. Nada ilustra melhor como os Bulls caíram tão rapidamente. Em menos de um ano tinham estabelecido um novo recordo defensivo e perderam o mesmo recorde.

Não sei o que o Michael tem a dizer acerca disto,” disse Harper depois da derrota. Kukoc mal conseguia articular as palavras para descrever as suas emoções: “Não me sinto bem neste momento. Não há nada mais que possa dizer. Dói, apenas.

É impossível de ignorar a importância dos Bulls para o ecossistema da liga durante os anos 1990. Até hoje, as maiores audiências televisivas em finais envolveram os Bulls dos anos 90. E em 1997/98 o ‘merchandise‘ dos Bulls correspondia a 50% das vendas da liga inteira.

Começar sem transmissão nacional no dia de abertura, contudo, era um sinal claro de que 1998/99 seria uma temporada diferente. Desta vez a NBC transmitiu apenas um jogo dos Bulls em todo o ano, um Knicks-Bulls que foi transmitido nas regiões de New York e Chicago. A TBS e a TNT não transmitiram nenhum jogo dos Bulls.

Nos jogos fora, onde os Bulls atraíam multidões de milhares cada vez que chegavam, viajavam agora em anonimato. “As coisas são um bocado diferentes,” disse Bill Wennington. “Já não é um circo mediático. É mais como se fôssemos caixeiros-viajantes.

Na ‘candonga‘ os bilhetes para os Bulls eram vendidos por um décimo do que custavam no ano anterior. O decréscimo na audiência dos jogos fora era o mais extremo possível. Os Bulls eram a equipa que mais gente atraía nos jogos fora nos anos 1990, quando Jordan jogava, caindo para segundo e quinto nos anos em que foi jogar basebol. E em 1999 caíram para 29º numa liga de 29 equipas.

Apesar de os jogos em casa continuarem esgotados, todos os outros indicadores de interesse locais sofriam com a sorte da equipa. Os bares e restaurantes de Chicago tiveram quebras de 40% por causa da falta de espectadores, e as audiências na televisão desceram mais de 50%. Quando a temporada de basebol começou, a estações de televisão e de rádio em Chicago colocaram os jogos dos White Sox e dos Cubs em destaque, mandando os jogos dos Bulls para rádios menores ou passando em diferido pela primeira vez na história. E duas semanas depois do começo da temporada, a CBS parou de mandar uma equipa de reportagem para os jogos fora, porque como disse um pivô, “Quantas vezes mais tens que ouvir um jogador dizer, ‘nós não prestamos’?

As estações de televisão tiveram que mudar de hábitos nos jogos dos Bulls. Tom Dore, comentador televisivo, chamou outros comentadores de equipas mais fracas para aprenderem. E o Chicago Tribune tirou os Bulls da primeira página da secção desportiva ao fim de um mês, voltando apenas quando havia rumores de que Jordan iria comprar uma participação nos Charlotte Hornets. No dia a seguir à primeira vitória dos Bulls em casa, o Chicago Tribune em vez de colocar isso na primeira página colocou um jogo universitário entre DePaul e a UNC-Charlotte. Ao menos o Benny podia marcar férias em Junho, em vez de esperar até Agosto.

O antigo All-Star dos Bulls, e na altura comentador televisivo, Norm Van Lier sumarizou da melhor maneira a situação deprimente. Perto do final da temporada disse: “Tem sido duro manter o nível de energia noite após noite para falar de uma equipa que não tem energia. Era muito fácil antes disto.

A temporada 1998/99 terminou sem ‘glamour‘, com as duas derrotas finais a combinar 64 pontos. “Um momento para celebrar: a temporada dos Bulls terminou,” escreveu o Chicago Tribune. Mas depois da temporada, havia na verdade algum optimismo na organização de que os dias de ouro estavam por chegar. Os Bulls diminuíram a folha de salários de maneira a terem espaço para o mercado de transferências. A equipa até ganhou a primeira escolha do draft. “Tudo o que sei é que a nova temporada vai ser como ir à praia,” disse Floyd, enquanto sorria, uns dias depois do último jogo.

Estava errado. Apesar de uma boa temporada do Rookie do Ano Elton Brand, os Bulls foram piores em 1999/00 (17-65), e ainda mais em 2000/01 (15-67). Tiveram o pior ataque da liga nessas duas temporadas.

As tentativas de Krause de trazer estrelas para a equipa falharam miseravelmente. No Verão de 1999 o clube apenas conseguiu assinar com três suplentes: Fred Hoiberg, Will Perdue e B.J. Armstrong – os últimos dois eram apenas fragmentos dos dias de glória. No Verão seguinte, enquanto falhavam a contratação de Tracy McGrady e Grant Hill, os Bulls assinaram com Ron Mercer e Brad Miller. “O plano dos Bulls a seguir à era Jordan era de abrir espaço na folha de salários e então assinar com dois dos melhores jogadores livres,” escreveu Sam Smith em 1999. Na verdade Krause estava à frente do seu tempo como arquitecto de equipas. Mas nenhuma das suas contratações se pode designar como estrela.

Pelo menos Reinsdorf poupou uma montanha de dinheiro em salários. Segundo algumas fontes, teve o dobro do lucro em 1998/99 comparando com 1997/98, mesmo com a redução de jogos e a falta dos lucros dos playoffs. Depois de ter a maior folha de salários da liga nas duas últimas temporadas de Jordan, os Bulls estiveram no fundo, ou perto dele, nos cinco anos seguintes.

Não demorou muito até os fãs apontarem a sua frustração para os dois Jerrys. Na cerimónia que honrou Phil Jackson, o antigo treinador agradeceu a Reinsdorf e a Krause e o público “vaiou ruidosamente,” escreveu Skip Bayless do Chicago Tribune.

No jornal local, carta após carta para o editor reflectia o criticismo dos fãs que culpavam quem tinha forçado o fim do plantel que venceu a liga. Uma crítica mirava Krause de uma maneira que nem Jordan poderia fazer melhor.

Jerry Krause comentou que os Bulls iam começar a reconstrução com juventude – sem velhos. Talvez esta reconstrução com juventude deveria começar com o próprio Director Geral” – Ruth Schreiber

Em Janeiro de 1999 Reinsdorf sugeriu que os Bulls podiam voltar às finais da conferência entre dois ou três anos. Demorou uma dúzia. Ninguém do plantel de 1998/99 restou na equipa de 2004/05, quando os Baby Bulls chegaram aos playoffs. As figuras-chave, Kukoc e Harper tinham sido trocado e dispensado, respectivamente. Floyd demitiu-se na véspera de Natal de 2001. E Krause demitiu-se em Abril de 2003.

Floyd talvez tenha a situação mais empática de todos. Brindado com um plantel fraco, um sistema ofensivo inerte, e a sombra gigante de Jackson, a sua vida como treinador dos Bulls foi uma série de deslizes. Terminou a sua passagem pelos Bulls com uma média de 17 vitórias por cada 82 jogos, a pior da história da equipa. Phil Jackson, o seu antecessor, conseguiu 61 vitórias por cada 82 jogos, o melhor da história da equipa. O pobre homem até foi expulso de um jogo no seu aniversário em 1999, e subsequentemente multado em 5.000 $ dólares.

Mesmo agora, mais de 20 anos depois, o colapso dos Bulls mantém-se sozinho em tamanho e dimensão. Cleveland estive perto quando LeBron James saiu pela primeira vez. Os Cavaliers conseguiram 19-63 e a sua realidade diária foi ainda pior. A certa altura perderam 10 jogos seguidos, depois venceram os Knicks no prolongamento, e então perderam 26 jogos seguidos e definiram um novo recorde. (Mais tarde os 76ers iriam empatar esse recorde de 26 jogos.)

Mas esses Cavaliers ainda não tinham ganho um campeonato, e caíram por causa da decisão de um jogador. Os Bulls foram uma demolição controlada quando a equipa tinha uma hipótese realista de conseguir um quarto título seguido. A escolha foi desconcertante na altura e ainda mais em retrospectiva, sabendo do infeliz resultado; claro, os Bulls podiam não ter vencido novamente em 1999, mas é impossível imaginar uma próxima meia década pior para a equipa do que a que realmente experimentou. Os Bulls transformaram-se totalmente de pombo em estátua, e assim permaneceram por um bom tempo.

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