E se os Bulls tivessem mantido as suas primeiras escolhas do draft?

Todos sabemos da reputação do front office dos Chicago Bulls. Mas quão diferente seria a equipa hoje em dia se tivessem mantido as suas escolhas do draft?

Os fãs (e os menos fãs) dos Chicago Bulls estão bem cientes da visão do Vice Presidente para as Operações de Basquetebol, John Paxson e do Director Geral, Gar Forman. Este duo parece estar à frente dos destinos dos Bulls desde sempre, mas Paxson só passou à frente do seu predecessor, Jerry Krause, em 2003.

Os Bulls foram aos playoff em 11 das 16 temporadas desde então, com um pico em 2010, com a presença nas finais da Conferência Leste. Seria um desempenho bom para algumas equipas, mas não para uma equipa com a história dos Bulls. O último título data de 1998, à 21 anos atrás. Certamente há vontade de voltar a festejar em Chicago.

Podiam os Bulls lá ter chegado se tivessem feito menos?

Vamos dar uma vista de olhos ao plantel que poderia ter se a dupla Gar-Pax fizesse o que faz de melhor (avaliar talento) e evitasse o terrível hábito de fazer demais. Os jogadores mencionados foram todos escolhidos pela dupla do regime. Apenas jogadores activos ou activos nas duas últimas épocas foram incluídos.

Os jogadores também têm de ter sido escolhidos no draft pelos Bulls. Por isso, não. Não vai haver Lauri Markkannen (escolhido pelos Timberwolves) nesta lista. Também não haverá jogadores escolhidos na segunda ronda do draft ou jogadores seleccionados através de trocas no draft. Portanto, não haverá Jordan Bell ou Mitchell Robinson. Por último, houve liberdade quanto ao tecto salarial.

Base
Derrick Rose (1ª escolha do draft – 2008)

Derrick Rose cativou a NBA no seu caminho para o prémio de Rookie do Ano e o lugar na equipa All-Rookie em 2009. Parecia destinado a ser uma estrela quando foi eleito o mais jovem MVP da história da liga. O que se seguiu foram vários anos de lesões e desapontamentos.

Rose foi trocado para os Knicks em 2016. Assinou pelos Cavaliers em 2017 e foi trocado para os Jazz em 2018, que o dispensaram logo a seguir. Assinou então pelos Timberwolves e renovou com eles o ano passado, quando parecia gozar de um período de ressurgimento.

D-Rose é agora membro dos Pistons. É, sem dúvida, a melhor escolha no draft do actual regime. Podem debater o crédito que têm na primeira escolha do draft, mas pelo menos não caíram no “hype” de Michael Beasley.

Suplente: Coby White (7ª escolha do draft – 2019)
Coby White é parecido com Rose no aspecto de ser um base quando os Bulls precisavam de um base. É praticamente a única coisa em comum entre eles. Rose era um jogador explosivo e com habilidade de atacar o cesto. White é mais suave e vence na habilidade e lançamentos. Não tem o “hype” que Rose tinha, mas os fãs dos Bulls esperam um sucesso similar (e maior, até).

Extremo-base
Gary Harris (19ª escolha do draft – 2014)

Temos aqui a primeira dor de cabeça nesta lista com Gary Harris. O base da Universidade de Michigan State foi parte de uma troca na noite do draft que trouxe Doug McDermott. O Mr. McBuckets durou duas temporadas e meia antes de ser trocado num pacote cuja notável inclusão foi Cameron Payne.

Para ilustrar quão má acabou por ser esta troca, McDermott nunca conseguiu chegar aos 10 pontos num jogo durante uma temporada inteira (conseguiu média de 10.2 em meia época com os Bulls em 2016). Nem foi titular mais de 5 jogos num ano.

Harris vai na sua quarta época seguida com dígitos duplos e nunca foi titular menos de 48 jogos (marca que atingiu em 2018) desde a sua temporada de estreia. É também um defensor capaz, sendo o 8º extremo-base na lista +/- Defensiva da ESPN.

Suplente: Denzel Valentine (14ª escolha do draft – 2016)
Entre Denzel Valentine e Tony Snell (20ª escolha do draft em 2013), nenhum deles teve, ainda, um grande impacto na NBA. Snell é algo como McDermott. Rotulado de marcador de pontos, ainda precisa de ultrapassar a média de 9 pontos por jogo na sua carreira. Valentine ao menos conseguiu médias de 10.2 em 2017, antes de falhar a última época por lesão.

Extremo
Jimmy Butler (30ª escolha do draft – 2011)

Quatro vezes All-Star, quatro vezes na equipa All-Defense, duas vezes na equipa All-NBA, e Most Improved Player em 2014/15. O curriculo de Jimmy Butler é impressionante considerando a sua posição no draft. Butler entrou na liga como um especialista a defender e tornou-se num jogador com médias superiores a 20 pontos por jogo em quatro temporadas seguidas.

Também teve nos ombros o peso do terceiro maior mercado da NBA quando foi o rosto da equipa após a saída de Derrick Rose. Butler, que encarnava o espírito defensivo e aguerrido do antigo treinador Tom Thibideau, foi trocado para começar a reconstrução da equipa. Os rumores dos seus desentendimentos com a equipa técnica provaram ser verdade, tal como aconteceu nos Timberwolves e nos 76ers.

Butler encontrou um lugar onde parece sentir-se bem nos Heat, nesta offseason. E é justo dizer que os Bulls acabaram bem na troca que envolveu Butler. Lauri Markkanen parece ser um jogador especial e Zach LaVine é um puro marcador de pontos. Mas o que Butler fez, por si e pela cidade, é para além de admirável.

Suplente: James Johnson (16ª escolha do draft – 2009)
Talvez daqui a uns anos Chandler Hutchinson venha a ser merecedor deste espaço. Para já, James Johnson é dono do lugar. Embora nunca tenha encontrado o seu espaço em Chicago, desenvolveu-se num jogador sólido nos dois lados do campo. É actualmente companheiro de equipa de Jimmy Butler em Miami.

Extremo-Poste
LaMarcus Aldridge
(2ª escolha do draft – 2007)

Se houver pior troca em dia de draft do que a de LaMarcus Aldridge, tenho pena dessa equipa. A dupla Gar-Pax trocou o “Big Men” da Universidade do Texas pelo menino-bonito do torneio da NCAA, Tyrus Thomas. Aldridge tem médias de 19.6 pontos e 8.4 ressaltos na sua carreira. Thomas, que jogou pela última vez na NBA em 2014/15, 7.7 pontos e 4.8 ressaltos.

Aldridge tem médias de mais de 17 pontos e mais de 7 ressaltos em todas as temporadas desde a sua época de estreia. Um ano de estreia que o viu ser eleito para a equipa All-Rookie. Desde então foi 7 vezes All-Star (na conferência Oeste) e cinco vezes eleito para a equipa All-Star.

OK.

O que mais dói nesta troca foi o ímpeto no seu exercício. É o que acontece quando tudo corre na mesma direcção e fazes demais a tentar ser o mais esperto do bairro. Os Bulls foram na conversa do atleticismo de Thomas em vez da inteligência de Aldridge. E é um erro que os Bulls ainda sentem. LaMarcus Aldridge tem médias de 21 pontos, 8.7 ressaltos e 1.7 bloqueios contra a equipa de Chicago.

Suplente: Bobby Portis (22ª escolha – 2015)
Se um atleta quer cair no goto da cidade de Chicago, tem de dar tudo sempre que entra em campo. Foi isso que Bobby Portis fez. Outra pérola achada no final da primeira ronda do draf. Portis expandiu o seu jogo para lá de um jogador enérgico. Adicionou a longa distância ao seu jogo nas últimas duas temporadas, conseguindo 37.4% nos lançamentos de três pontos em 3.4 tentativas por jogo.

Poste
Jusuf Nurkic (16ª escolha do draft – 2014)

A outra chave da troca que trouxe McDemott para Chicago. Jusuf Nurkic mostrou-se nas duas últimas temporadas, conseguindo médias de 14.9 pontos e 9.6 ressaltos nas duas temporadas inteiras que fez com os Trail Blazers. Conseguiu ainda 15.2 pontos e 10.4 ressaltos nos 20 jogos que fez por eles em 2017.

Um lesão na perna sofrida em Março deixou a “Besta Bósnia” de fora dos playoffs de 2019. Mas conseguiu médias de 11.8 pontos e 8 ressaltos em 2018, incluindo 18 pontos e 11 ressaltos no jogo quatro.

De moeda de troca no dia do draft a reserva em Denver para titular em Portland. O jovem “Big Men” tem tido altos e baixos, mas começa a mostrar que pertence à NBA. Se a dupla Gar-Pax tivesse pensado o mesmo em vez de ir buscar McDermott…

Suplente: Wendell Carter (7ª escolha do draft – 2018)
Wendell Carter viu a sua época de estreia interrompida após 44 jogos. Nesse curto período mostrou alguma habilidade para ser um sólido poste nos dois lados do campo. Teve alguns problemas com postes maiores, mas isso era esperado. Uma lesão deixou-o de fora da Summer League. Portanto a sua capacidade física poderá vir a ser um problema. Se conseguir superar isso, e começar a ser titular e a concretizar triplos, a sua estrela pode começar a brilhar com outra intensidade.

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